Alemanha. Extrema-direita consegue vitória histórica na Saxónia-Anhalt
O partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) reivindicou, no domingo, uma vitória histórica nas eleições do estado da Saxónia-Anhalt, tendo ficado a apenas três lugares da maioria absoluta. Os líderes europeus começam a mostrar os primeiros sinais de preocupação.
Com a totalidade dos votos apurados, a AfD obteve 43,8% dos escrutínios, ficando a três assentos da maioria absoluta no parlamento regional.
O partido superou largamente a União Democrata Cristã (CDU), do chanceler Friedrich Merz, que obteve 17,5% dos votos, segundo os resultados preliminares divulgados pelas emissoras públicas ARD e ZDF. Esta é a primeira vez desde o fim da Segunda Guerra Mundial que um partido de extrema-direita conquista o poder num Estado alemão."Nunca houve um ministro dos Negócios Estrangeiros tão impopular como Friedrich Merz, que se tornou um grande obstáculo ao desenvolvimento próspero da Alemanha", disse Weidel à imprensa, afirmando que o seu partido ambiciona obter pelo menos 40% dos votos nas próximas eleições federais, previstas para 2029.
O candidato da CDU na Saxónia-Anhalt, o primeiro-ministro Sven Schulze, manifestou-se desapontado com o resultado do partido, decorrente de metade dos votos obtidos em 2021, reconhecendo o "duro golpe".
"O vencedor das eleições, a AfD, é agora a força política mais forte no parlamento regional da Saxónia-Anhalt", admitiu, acrescentando que as lideranças dos partidos no estado federado, "mas também para além dele, devem enfrentar" o resultado.
O líder do grupo parlamentar da CDU na câmara baixa do parlamento federal em Berlim, Thorsten Frei, considerou a vitória da AfD como "um ponto de viragem para o país".
"Nunca antes vivemos uma situação em que um partido classificado como `extremista de direita` confirmado pelo Gabinete Regional para a Proteção da Constituição obtivesse uma maioria", sublinhou.
O resultado sugere que pode haver uma maioria para além da AfD, mas a vitória esmagadora do partido de extrema-direita torna pouco viável uma aliança estável entre vários partidos, na qual teriam de participar um partido conservador como a CDU do chanceler Friedrich Merz e uma formação de origem marxista como "A Esquerda", a quinta força política, com 8,6%.
Europa preocupada
Os líderes europeus começam a mostrar os primeiros sinais de preocupação com a vitória histórica da AfD na Saxónia-Anhalt.
"É um momento grave na Europa ver a extrema-direita ganhar uma eleição regional na Alemanha", disse o ministro francês dos Assuntos Europeus, Benjamin Haddad, na rede social X.
C’est un moment grave en Europe de voir l’extrême-droite l’emporter dans une élection régionale en Allemagne.
— Benjamin Haddad (@benjaminhaddad) September 6, 2026
Nous devons entendre avec humilité les colères, les inquiétudes, les peurs et y répondre.
Mais le nationalisme et la xénophobie ne seront jamais une solution. Nous ne…
"Devemos ouvir com humildade a raiva, os medos e as preocupações e responder devidamente a essas preocupações. Mas o nacionalismo e a xenofobia nunca serão a resposta", acrescentou.
O ministro francês das Finanças, Roland Lescure, disse que a vitória da extrema-direita “envia claramente um sinal muito, muito preocupante". "Demonstra que enfrentamos um grande desafio face à onda populista que se espalha pelo mundo hoje e à qual devemos resistir", acrescentou Lescure em declarações à rádio RTL.
O ministro dos Negócios Estrangeiros da Polónia, Radoslaw Sikorski, também considera a vitória da AfD um “sinal muito preocupante”. "Parece que faltaram poucos votos para alcançarem a maioria absoluta, mas isso é, de facto, um sinal muito preocupante", disse Sikorski à Rádio Vox FM.
Por sua vez, vários líderes da extrema-direita europeus têm parabenizado a AfD pela vitória histórica de domingo.
André Ventura, líder do Chega, já congratulou o partido, afirmando que os alemães “estão a abrir os olhos contra a imigração ilegal e descontrolada, a corrupção e a captura da nossa liberdade e identidade”.
A AfD teve hoje uma vitória histórica no Estado da Saxónia-Anhalt. Ainda não sabemos se há ou não maioria absoluta, mas também os alemães estão a abrir os olhos contra a imigração ilegal e descontrolada, a corrupção e a captura da nossa liberdade e identidade. Parabéns! pic.twitter.com/478ymB2EaZ
— André Ventura (@AndreCVentura) September 6, 2026
O líder do Vox, em Espanha, Santiago Abascal, também deu os parabéns à AfD por este “resultado espetacular que é ótimo para a Alemanha e para a Europa”.
Felicidades a @Alice_Weidel y a @UlrichSiegmund por este resultado espectacular que es una gran esperanza para Alemania y para Europa. https://t.co/yjjbtKJZhd pic.twitter.com/DpbQGnK7Dd
— Santiago Abascal 🇪🇸 (@Santi_ABASCAL) September 6, 2026
O vice-primeiro-ministro da Itália, Matteo Salvini, também saudou o “sucesso estrondoso que evidencia a forte procura de mudança, segurança e emprego”. “Em contraposição aos da esquerda que alimentaram o medo e cenários catastróficos”, escreve Salvini no X.
Complimenti all’amica @Alice_Weidel e a tutta AfD per il trionfo in Sassonia-Anhalt!
— Matteo Salvini (@matteosalvinimi) September 6, 2026
Un successo clamoroso, che evidenzia la forte richiesta di cambiamento, sicurezza e lavoro. Alla faccia di chi, a sinistra, alimentava paure e scenari catastrofici.
Paura? Terrore? Pericolo?…
O presidente dos EUA, Donald Trump, partilhou um gráfico com os resultados das eleições na Saxónia-Anhalt, num sinal de apoio à AfD alemã.
c/agências